
RENOVAÇÃO LITÚRGICA
Nestas quatro décadas, sobretudo depois da promulgação da Constituição “Sacrosanctum Concilium”, muito se fez pela renovação litúrgica. As mudanças, em alguns casos, foram radicais: missa celebrada na língua local, maior participação da comunidade, ministros leigos e outras novidades que deixaram o senhor Fritz, 65 anos, desanimado, a ponto de dizer:
“Gostava mais da missa quando era rezada de costas e em latim!”. Mas, contrariamente ao senhor Fritz, muitos vibraram com as mudanças e passaram a exigir uma renovação que respondesse realmente às exigências dos tempos.
Não há dúvida, um grande caminho foi feito, contudo, há ainda situações que continuam preocupando a Igreja:
A fraca participação da comunidade celebrante. Anteriormente a culpa parecia estar toda no fato de a liturgia estar quase que exclusivamente na mão do clero. De fato, havia muita razão para essa queixa. Mas, qual seria agora a razão da fraca participação em muitas celebrações?
Exageros litúrgicos cometidos por certos movimentos da Igreja. Isso já chegou a provocar reiteradas intervenções da Igreja. Fica a pergunta: O que fazer para que a liturgia seja fonte e cume da vida e das atividades da comunidade? (cf. SC 10)
PREPARAR É O CAMINHO
Quem celebra a liturgia de forma ativa, participada, entra mais facilmente na dinâmica comunitária e eclesial da solidariedade e da doação da vida para a construção do Reino, assim como Jesus indicou e testemunhou. Mas, para que isso aconteça, a ação litúrgica deve ser entendida e bem preparada.
Ouve-se ainda queixas desse tipo: a missa foi cansativa, os cantos desafinados, o instrumental exageradamente alto, as leituras feitas sem expressão, a homilia abstrata e pouco voltada para a vida…
Mas como ter uma boa proclamação da Palavra se o leitor for improvisado, sem capacidade ou preparação nenhuma? A música e os cantos são de uma importância extraordinária na liturgia, mas como alcançar isso se os cantos não forem apropriados e bem executados, envolvendo, de preferência, também a comunidade? Por isso, tudo deve ser preparado com antecedência e com capricho.
PASTORAL LITÚRGICA
Dito isso, é fácil entender a necessidade, em cada comunidade, da Pastoral Litúrgica. Dela devem fazer parte pessoas com uma forte espiritualidade e sensibilidade litúrgica. É tarefa desta pastoral organizar com competência e criatividade toda a ação litúrgica que acontece na comunidade, preparando pessoas, dividindo tarefas e criando aquele clima que ajude a vivenciar as sublimes realidades que devem nos conduzir a uma forte experiência de Deus e a nos engajar na transformação do mundo.
Serginho Valle, em seu livro “Pastoral Litúrgica”, oferece uma definição da pastoral: “Pastoral Litúrgica é o modo de organizar a comunidade, visando a formação litúrgica, a preparação e a realização de celebrações”.
Como na comunidade existem várias funções, assim na liturgia devem existir pessoas que assumam as diversas responsabilidades: músicos, leitores, acólitos, celebrante, salmistas, cerimoniários, decoradores de ambiente, comentaristas e por aí vai.
N a t u r a l -mente, entre eles, deve haver alguém que organize e coordene, realizando o chamado tripé da Pastoral Litúrgica: organização, formação e preparação.
ORGANIZAÇÃO: articular toda a liturgia da comunidade distribuindo as responsabilidades às equipes. FORMAÇÃO: se não houver formação litúrgica das equipes e da própria comunidade, teremos uma comunidade que celebra sem vida.
PREPARAÇÃO: a improvisação torna as celebrações chatas e pouco participativas.
CONCLUINDO
Pastoral Litúrgica ainda não é levada a sério por muitas comunidades que nem sequer têm equipes próprias para isso. Uma liturgia bem organizada, sem improvisações, é resultado de uma equipe que pensa, organiza, prepara e põe vida e arte em sua realização. Precisamos evitar, como diz Serginho Valle, a “pastoral do laço”:
Dez minutos, quando não menos, laça-se alguém que está chegando mais cedo para que faça uma leitura, escolha uns cantos, etc. Errado! A comunidade dos fiéis merece muito mais que isso. E Deus, a quem se deve honra e glória, merece ainda mais de nós!